sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Auto da Barca do Inferno


Autor: Gil Vicente
Livro: Skoob
Sinopse:
O "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, é uma sátira impiedosa da sociedade portuguesa do século XVI. Suas críticas não poupam ninguém - fidalgos, padres magistrados, mas também sapateiros e ladrões.
Cada personagem traz, nas roupas ou nas mãos, os símbolos de seus pecados e deles não podem se desfazer; não há defesa contra as acusações do Diabo ou do Anjo.



Reli esses dias o Auto da Barca do Inferno, do Gil Vicente. A minha versão tem uma introdução até que grande - a qual li inteira -, falando sobre o autor, e achei interessante o fato de que não se sabe ao certo a posição social dele em sua época, a data de seu nascimento ou morte... Mas, vamos ao livro.
Um livro muito pedido em vestibular, é bem pequeno e tem uma leitura rápida, sendo 99% apenas falas, já que é feito para teatro. Meu professor disse 'vocês leem em meia hora!', mas vamos lá, leio em meia hora a versão adaptada! Quem tem uma versão igual a minha (L&PM POCKET) demora um pouco mais, já que é a escrita original com o significado de algumas palavras ao fim da página, e no final de cada ato tem uma explicação deste.
O Auto da Barca do Inferno é uma sátira, a qual se passa no local onde os espíritos são julgados, entrando na barca do Inferno ou na barca do Paraíso - é uma representação do Juízo Final. As personagens mortais, em seu todo, acabaram de morrer e chegam à este local, todos querendo ir para o Céu. Pode-se fazer até uma analogia à mitologia grega, onde os mortos chegam às margens do rio Styx e são levados pelo barqueiro Caronte.
Na barca do Inferno, recebendo as almas, está o Diabo (um personagem profundamente irônico), e na outra, está o Anjo (diferentemente dos anjos comuns, este é mais frio, duro), sendo ambos uma alegoria do Bem e do Mal. Todos os espíritos tentam ir para a barca do Anjo, porém esse os impede de entrar, principalmente aqueles que trazem materiais de suas vidas, ou seja, a representação de seus pecados; apenas os soldados que morreram nas cruzadas e o Parvo (puro de coração, igênuo) entram.
Os personagens são estereótipos, ou seja, sua personalidade representa um determinado grupo social da época, que pode muito ser visto, principalmente, pela fala. A fala do judeu é muito mais nasalada que as outras, e pela história ser uma peça, isso provavelmente fica mais explícito no palco.
Sendo uma sátira, Gil Vicente critica muito o clero e a nobreza, não deixando passar ninguém; é uma sátira moralista, ou seja, faz-se graça de algum comportamento condenável. Critica a cobiça, corrupção, homens como o sapateiro que por muitos anos se aproveitou da sociedade e até mesmo o frade com sua amante, que em uma parte diz que em seu convento santo, outros fazem até mais do que ter uma amente. Porém, é preciso frizar que o 'realismo' de Gil Vicente está submetido a uma visão de mundo conservadora, em defesa aos valores religiosos.
O mais interessante é que no fim, o que supostamente é o 'alter ego' de Gil Vicente, o parvo Joane, não entra em nenhuma das barcas. Bom, não explicitamente.

"Joane. Soma: Vim adoecer/e fui má-hora a morrer/e nela pera mi só.
Diabo. De que morreste?
Joa. De quê? Samicas(talvez) de caganeira.
Dia. De quê?
Joa. De cagamerdeira."


Nota: ★★★★☆

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