quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Memórias de um Sargento de Milícias


Autor: Manuel Antônio de Almeida
Livro: Skoob
Sinopse:
Memórias de um Sargento de Milícias surgiu como um romance de folhetim, ou seja, em capítulos, publicados semanalmente no jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, entre junho de 1852 e julho de 1853. Os folhetins não indicavam quem era o autor. A história saiu em livro em 1854 (primeiro volume) e 1855 (segundo volume), com autoria creditada a “Um Brasileiro”. O nome de Manuel Antônio de Almeida aparecerá apenas na terceira edição, já póstuma, em 1863. (improvisada)



O livro conta a história não só de apenas um personagem, como a ideia de 'memórias' traz, mas sim de todo um grupo de personagens, só que com o enfoque maior em um: o Sargento de Milícias.
O livro começa contando a história de Leonardo Pataca, um meirinho, e Maria da Hortaliça. Mas logo o nosso narrador onisciente trata de nos dizer que essa história não é sobre Leonardo Pataca, nem Maria da Hortaliça, e sim do filho deles - ou não, como desconfia Pataca -, o Leonardinho.
Bom, eu percebi no livro algo parecido com três blocos: um quando Leonardo é criança, outro quando ele é adolescente, e outro quando ele está na transição de adolescente/homem.
Quando criança, é abandonado por seus pais que se separam, graças à infedelidade de sua mãe; seu pai, cheio de desgotos, não o quer parar criar, sobrando então para seu padrinho, o barbeiro, o Compadre, criá-lo. Contudo, este o cria cheio de mimos e sempre dá um jeito de cobrir suas malandragens que não são poucas!
Durante sua adolescencia, são introduzidas certas personagens como D. Maria e sua sobrinha, Luisinha, também sem pais. De início, nosso anti-herói romantico acha graça da garota da roça, e ri toda vez que lembra dela, contudo, mais pra frente, vem a encontrar nela uma beleza diferente e a apaixonar-se. Em seguida, conhecemos José Manuel, um mais velho que se faz de amigo de D. Maria, por ser um caça-dotes e fofoqueiro. Tudo que ele quer, na verdade, é casar com Luisinha e por as mãos na herança que o pai deixou para a garota, ainda menor para ter acesso a esta.
No decorrer do livro MUITOS personagens nos são apresentados, e eu realmente não quero fazer uma resenha cansativa, por isso, vou me atar aos que aparecem durante a maior parte. Além dos citados, temos também de importante a Madrinha parteira de Leonardo, o Major Vidigal (representante da lei que bota medo em todos), Cicinha - que mais pra frente vem a ser mulher de Leonardo Pataca e Maria Regalada, amante de Vidigal.
Durante sua infância, Leonardinho apronta muito e é visto como todos um endiabrado. Quando cresce, vira um vagabundo que vive às custas do padrinho; contudo, quando esse morre, Leonardo se vê tendo que morar com o pai e a Cicinha, sendo que com essa última ele não se dá tão bem assim.
O livro nos traz algo entre o Romantico e o Realista, já que os personagens não são idealizados (pode-se perceber apenas pelo nosso anti-héroi, um típico malandro), mas em contraponto nos tráz um final feliz ao estilo burguês da época (já que era feito na forma de folhetim) e, ao mesmo tempo, não há sentimentalismo e maniqueísmo.
Voltando à narrativa, ela tem uma linguagem de época ("tempo do rei", como diz no livro) e a descontração do narrador dá um 'estilo jornalístico' na história. O que marca bastante o livro, são a linguagem das personagens - bem típica de cada classe e da época, marcando as gírias etc -, o uso do humor por parte do narrador, que por muitas vezes vem a ser irônico (devo admitir que ri em várias partes) e, não podendo falar o mais falado, as relações de compadrio que os personagens tem. Pode-se perceber bastante isso no final, quando o Leonardo é preso e sua Madrinha vai até D. Maria, que vai até Maria Regalada que vai falar com o Major Vidigal (ufa!). Tem bastante dessa coisa de jeitinho brasileiro, a malandragem, a mistura entre o público e o privado (favores profissionais/pessoais).
Bom, como isso não é exatamente um resumo de livro pra quem vai prestar vestibular (aliás, aconselho a todos que leiam, porque tem MUITA personagem), vou tentar parar por aqui pra não ficar cansativo principalmente pra quem já passou dessa fase.
De qualquer maneira, eu até que gostei do livro, apesar de algumas partes me cansarem (tipo quando ele descreve alguma festa - que são muitas, principalmente as religiosas); e o autor fazer aquela coisa de cortar a cena de um personagem e levar o foco até outro, o narrador ser ironico e conversar com o leitor realmente nos chama para o livro.

Nota: ★★★☆☆

Nenhum comentário:

Postar um comentário